
Seguido acontece esse lance bizarro de eu ver um filme e associar com uma música. A última vez que isso aconteceu foi com Two Lovers - e foi total breguerê, pq logo me veio à cabeça "Saber Amar", dos Paralamas! Hahahaha!!
Mas nessa madrugada não me senti nada nesse clima. Acabei de ver Breakfast At Tiffany's (mais conhecido pelo tenebroso nome de "Bonequinha de Luxo", um dos motivos que me fez demorar tanto tempo pra querer assistir), e o que eu vi nas cenas finais do filme foram coisas que eu muito já teorizei por aqui. E tavam ali, todas, na "prática". Claro que com um final super wow, chuva e etc. Enfim. Já havia falado num post anterior sobre a diferença que eu vejo em ser livre e sentir a liberdade, a própria, em tudo, em ti. Faz dias que eu tenho escutado aquele cd mara do Noel, que eu inclusive coloquei o link aqui, que abre com (It's Good) To Be Free. Tá, já viram tudo. São essas duas coisas que se misturam na minha cabeça agora: o filme e a música. Cada arte com a sua linguagem, com seu peso, com sua forma e sua maneira de tocar na cabeça ou no coração, MAS as duas querendo falar a mesma coisa. As duas transparecendo o que eu penso dessa coisa toda. Aaaaaaaaaaaah!
Bom, o filme começou a se tornar um dos meus favoritos por causa da seguinte frase:
"Você não deve entregar seu coração pra coisas selvagens. Quanto mais entregar, mais forte elas ficam, até que ficam tão fortes para correr ou voar para bem longe, até uma árvore mais alta, depois o céu.."
E AFIRMOU-SE como um dos meus filmes favoritos, quando o bonitão dá aquele discurso-de-filme-elementar-pro-final-feliz:
Paul:
Eu te amo. Você me pertence.
Holy:
Não. Ninguém pertence a ninguém.
Paul:
É claro que pertence.
Holy:
Ninguém vai me colocar numa gaiola.
Paul:
Não quero colocar numa gaiola. Quero amar você.
Holy:
É a mesma coisa.
Paul:
Não! Não é, Holly!
Holy:
Eu não sou Holly. Não sou Lula Mae, também. Eu nem sei que eu sou! Sou como o gato.
Somos uma dupla de abandonados sem nome. Não pertencemos a ninguém, e ninguém nos pertence. Nem mesmo pertencemos um ao outro.
[...]
Paul:
Motorista... Pare por aqui. Sabe o que está errado com você, senhorita "seja-lá-quem-for"? Você é covarde. Você não tem coragem. Tem medo de levantar o queixo e dizer: "Está bem, a vida é uma realidade." As pessoas se apaixonam. As pessoas pertencem umas as outras. Porque esta é a única chance de alguém ser realmente feliz.
Você diz que é um espírito livre, um ser rebelde. E está aterrorizada porque
alguém vai te colocar na gaiola. Olha aqui, querida, você já está nessa gaiola.
Você mesma a construiu. E não está presa no Tulip, Texas ou Somali... ou seja lá onde for. Porque não importa o quanto corra... sempre acabará correndo de você mesma.
E quantas vezes já não me vi auto promovendo esse meu lado "espírito livre", "rebelde"? E, por experiência própria, hoje eu sei que era uma maneira de correr de mim mesma, de covardia, de medo dessa "gaiola", desse "pertencer". Mas um dia aceitei, custe o que custar, pese o que pesar, que são sentimentos reais. E deixei de lado a vergonha (?) de admitir que pode ser a única chance de alguém realmente ser feliz. Ok! Por que como diz o Noel em (It's Good) To Be Free:
"So what would you say if I said to you
It's not in what you say it's in what you do"
As vezes eu realmente preciso desses banhos de introspecção pra restaurar as configurações originais. E fico boba quando um filme consegue fazer isso comigo. Percebi que o café tinha terminado e fui lá fazer mais, pra quando o pai acordar não ficar de mau humor. Voltei pro quarto, já era dia, então eu pude abrir a janela sem medo das baratas. Tinha vento! Gastei quase todo o tubo do Bom Ar "cheirinho de talco", pq só ele é eficaz quando meu quarto vira um cinzeirão, e fiquei esperando o barulho da água fervendo pra concluir a operação "bom humor matinal do Sr Roberto". Mais um cigarro, e fiquei pensando que deve fazer muitas horas que eu não abro a boca pra falar algo, e que desde domingo de noite que eu to com o mesmo pijama, mesmo tendo tomado 5894385903 banhos pra sobreviver ao calor. Enquanto passava o café eu percebi que eu ia dormir lá pelas 8h e tenho que acordar as 10h, pq vou com a Amanda no shopping. E automaticamente lembrei da minha patricinha da Flórida, hahaha, mais conhecida como Vânia - a melhor pessoa do mundo. E o que isso tem a ver com o que eu comecei a escrever aqui? Não sei, mas little things they make me so happy, but it's good, it's good, it's good to be free!
Quando apertei o stop foi que eu percebi que a minha angustia é a gaiola que eu crio pra mim. E não, eu não quero. A sensação de liberdade é leve e não leviana.
http://www.youtube.com/watch?v=JO_HXMQt79E - Não é do tão amado The Dreams We Have As Children, mas é o Noelzinho cantando! Tá ai a BENDITA música.
E agora, durmo ou não?
:*




